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sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Não é que o pinhão esteja caro, mas...

O pior aconteceu. Ontem, enquanto comia a sétima fatia de bolo-rei ao lanche, o meu lábio superior embateu desajeitadamente num pinhão, acabando por projectá-lo na direcção do chão. Observei-o a cair, em câmera lenta, enquanto na minha mente ia ecoando um profundo “Nãããããããoooo!!!”
Antes que tivesse tempo de me debruçar para o apanhar, já dezenas de pessoas se digladiavam por ele, transformando aquilo que eu apenas desejava que fosse um lanche tranquilo, numa batalha campal sem precedentes. Sangue, fracturas expostas, dentes partidos, hematomas: em menos de um minuto já havia de tudo, por parte de gente que apenas desejava um futuro melhor para si e para os seus.
O pinhão, esse, nunca mais o vi. O que vi foi, de repente, hipotecadas todas as minhas esperanças num resto de vida desafogado.
E se fosse contigo?

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Negação pré-natalícia

O estado de negação pré-natalício inicia-se mais ou menos dois meses antes do gordo descer pela chaminé. Quando começam a aparecer as primeiras decorações nas lojas, algures no fim de Outubro, a reacção é "O QUÊ?! JÁ?! MAS ESTÁ TUDO DOIDO?!". Depois vai-se prolongando, gradualmente, ao longo das semanas seguintes. As árvores de Natal nos Shoppings, seis semanas antes do Natal, levam ao tradicional "ÁRVORES DE NATAL JÁ? MAS AINDA ESTAMOS EM NOVEMBRO!!". Um mês antes do Natal, as luzes invadem as ruas e as montras (a sério!) e começa-se a ponderar a possibilidade de ir à arrecadação buscar a árvore. Surge pela primeira vez a convicção de que, mais cedo ou mais tarde, "TENHO QUE PENSAR NAS PRENDAS..!". Três semanas antes do Natal, o primeiro "Feliz Natal!" na rua, ao que apetece responder com um amável "FELIZ NATAL MAS É O C$%&HO!", que ainda mal começou Dezembro. Entretanto a Mariah Carey já grunhe em todo o lado. Aparecem anúncios na televisão ao "Sozinho em Casa" e ao filme em que o Schwarzenegger anda à procura de um boneco de plástico para oferecer ao filho. Faltam agora 15 dias. "AI AS PRENDAS..!" Uma semana para o Natal e "AINDA NÃO COMPREI NADA!" Vai ficar tudo para a última outra vez. Como não era suposto acontecer, mas acontece todos os anos. "Se calhar compro só uns chocolatinhos e 'tá a andar!". É véspera de Natal. De manhã. Já cheira a fritos. Vamos lá então fazer as compras. E é só porque as lojas fecham à hora de almoço. Caso contrário, ainda adiávamos tudo mais umas horas.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Ouro, incenso e...?

- Que é que vais levar ao Menino, Belchior?
- Ouro pá. Ainda tive para lhe comprar uma pulseirinha da Pandora, em prata, mas achei que o ouro fazia pandã com as palhas da manjedoura..
- Hum. E tu, Baltazar?
- Incenso. Apanhei a Natura com 20% e despachei logo a coisa. E dá sempre jeito, que aquilo com o burro e a vaca dentro da barraca.. vai lá vai. Nem se percebe quando é que o miúdo tem a fralda cheia..
- E tu, Gaspar?
- Ainda nem comprei nada..
- Deixas sempre tudo para a última. Compra uma caixa de Ferrero..
- Nã.. Tenho ali uma ervinha da boa no quintal. Até os tomates "mirra"!
- Mas serve para quê..?
- É "medicinal"......!
- Como é que se chama?
- Não sei. Depois invento um nome..

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Uma questão de prioridade(s)

Esbardalhei o meu veículo na semana passada. Foi de manhã. Não me apetecia ir trabalhar naquele dia e então optei por afiambrar o meu bolinhas contra um jipe que vinha da direita. Sim, da direita. Sim, a culpa foi minha! Parem lá com isso se faz favor. E escusam de me olhar com esse ar de julgamento: até parece que nunca vos aconteceu o mesmo..

A parte mais engraçada da história, além do preenchimento da declaração amigável cuja dificuldade na interpretação da mesma se assemelha à de resolver um cubo de Rubik com o pénis, veio da parte das pessoas que me telefonaram. A primeira coisa que me perguntaram foi sempre se estava tudo bem com.. o carro. Até a minha mãe, porra. "Claro, mãe. Por amor de Deus, não te preocupes comigo. Quem andou nove meses a dar cambalhotas no teu ventre foi o Corsa, não fui eu..!"

E pronto, agora ando a pé que me fo.. que me lixo. Ontem bem queria ter ido para o Marquês festejar a vitória na Taça, mas tive receio de me meter pela A1 a pé, só com um cachecol do Sporting ao pescoço e seis latas de cerveja na mão: é que um indivíduo como eu, sem roupa, àquela hora, na berma da autoestrada, é coisa para provocar choques em cadeia.

Entretanto, após na marca me terem feito um orçamento cujo valor da reparação do carro obrigava a que me fosse prostituir duas vezes por semana até ao Natal (de 2038), decidi levá-lo a outra oficina. O senhor com quem falei pôs a mão no queixo, olhou para o carro, e foi repetindo "Ah isto é tudo barato..!", ao que me apetecia responder-lhe: "Ainda bem. Então arranje lá isso que eu já ando aí com ela fisgada para malhar também a traseira de uma Ford Transit.."

E pronto. Assim vai a minha vidinha. Há quem vá para o ginásio, há quem faça jogging.. a minha cena é mais, em chegando o Verão, espatifar o carro para me obrigar a andar a pé. Respeitem.