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segunda-feira, 1 de junho de 2015

Uma questão de prioridade(s)

Esbardalhei o meu veículo na semana passada. Foi de manhã. Não me apetecia ir trabalhar naquele dia e então optei por afiambrar o meu bolinhas contra um jipe que vinha da direita. Sim, da direita. Sim, a culpa foi minha! Parem lá com isso se faz favor. E escusam de me olhar com esse ar de julgamento: até parece que nunca vos aconteceu o mesmo..

A parte mais engraçada da história, além do preenchimento da declaração amigável cuja dificuldade na interpretação da mesma se assemelha à de resolver um cubo de Rubik com o pénis, veio da parte das pessoas que me telefonaram. A primeira coisa que me perguntaram foi sempre se estava tudo bem com.. o carro. Até a minha mãe, porra. "Claro, mãe. Por amor de Deus, não te preocupes comigo. Quem andou nove meses a dar cambalhotas no teu ventre foi o Corsa, não fui eu..!"

E pronto, agora ando a pé que me fo.. que me lixo. Ontem bem queria ter ido para o Marquês festejar a vitória na Taça, mas tive receio de me meter pela A1 a pé, só com um cachecol do Sporting ao pescoço e seis latas de cerveja na mão: é que um indivíduo como eu, sem roupa, àquela hora, na berma da autoestrada, é coisa para provocar choques em cadeia.

Entretanto, após na marca me terem feito um orçamento cujo valor da reparação do carro obrigava a que me fosse prostituir duas vezes por semana até ao Natal (de 2038), decidi levá-lo a outra oficina. O senhor com quem falei pôs a mão no queixo, olhou para o carro, e foi repetindo "Ah isto é tudo barato..!", ao que me apetecia responder-lhe: "Ainda bem. Então arranje lá isso que eu já ando aí com ela fisgada para malhar também a traseira de uma Ford Transit.."

E pronto. Assim vai a minha vidinha. Há quem vá para o ginásio, há quem faça jogging.. a minha cena é mais, em chegando o Verão, espatifar o carro para me obrigar a andar a pé. Respeitem.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Os Adeptos (Com e Sem Paixão)

Acho piada à forma como certas pessoas vêem o futebol. E não estou a ser irónico: acho mesmo. Vou ser mais específico: refiro-me àquelas pessoas que lhe dão pouca importância. Seja o Sporting, o Porto ou o Benfica, ou seja a Selecção Nacional que esteja a jogar, existe quem consiga conceber o futebol sem o lado da paixão. São aquelas pessoas que, quando pontualmente se sentam ao nosso lado a espreitar um jogo (essas pessoas não vêem jogos: espreitam-nos), ou falam de bola socialmente à mesa do café, para entrarem nas conversas fazem os comentários clichê do género:

"Só fazem isto da vida e nem na baliza acertam.."
"É fora-de-jogo porquê..?"
"Jogaram bem.. mas tiveram azar.."

O adepto com paixão facilmente substituíria estas três frases pelas equivalentes:

"F*da-se, pane*eiro do c*ralh*, nem na p*ta da baliza acerta!!!"
"Aquele boi de mer*a 'tá sempre à mama!" 
"Não jogaram a ponta d'um c*ralh*! E o árbitro roubou-nos!".

Mas o adepto que vê o jogo sem o lado romântico, não. É diferente. Para estas pessoas não há a táctica nem a técnica. Não há o 4-4-2 nem o 4-3-3. Não há defesas, médios, nem avançados. Não há falhas de marcação nem dobras. Existem, apenas e só, 22 indivíduos num campo de futebol aos pontapés a uma bola.
Estes são os adeptos que, mesmo sabendo que o desfecho dos jogos de ontem não foi o desejável para Portugal, hoje foram trabalhar exactamente com a mesma cara de todos os dias, independentemente de a Selecção Nacional ter sido eliminada do Mundial 2014.
O adepto da paixão não. O adepto "do cachecol e da bandeira" está de trombas! Está com azia! Queria ter tido um pretexto para virar umas imperiais depois do jogo, e teve de ficar em casa a ver a telenovela da TVI com a mulher! O adepto da paixão hoje não vai querer ler jornais desportivos, nem ver na televisão pseudo-especialistas a analisarem o jogo ao pormenor, para perceberem onde é que a Selecção falhou! O adepto da paixão está lixado! Está fodido! 
Já o adepto sem paixão reage como eu reagiria numa exposição do Picasso: entrava no museu (a sala), olhava para o quadro (a televisão), e dizia algo do tipo "Gosto muito das cores..!" (o clichê). E depois saía do museu e retomava a minha vidinha. Com a mesma cara de todos os dias.