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quarta-feira, 25 de junho de 2014

A Miúda da Nespresso

Hoje foi a primeira vez que me envolvi sentimentalmente com sushi. Foi a primeira vez que experimentei sushi à séria. Já tinha dado uma rapidinha com um rolo num restaurante japonês nas Amoreiras, mas na altura jurei para nunca mais. Hoje, quase ano e meio depois, apareceram-me oito rolos de sushi diferentes em casa. E comi. Devagarinho. Um bocadinho de cada um. Com aquele molho esquisito cujo nome não me recordo, mas que se assemelha a um grito de guerra do Bruce Lee.
Mas a verdade é que me sinto uma besta, porque simplesmente os comi. Ser apreciador de sushi é muito mais do que enfiar os rolos pela goela abaixo: é observá-los, tirar-lhes fotografias para espalhar pelas redes sociais, e depois então comê-los, lentamente, para saborear cada bocadinho.
No fundo podia estabelecer um paralelismo entre comer sushi, e a minha ida hoje à loja da Nespresso. Fui lá para comprar uma ou duas chávenas, mas fui atendido por uma menina tão jeitosa, que acabei por trazer um conjunto de quatro que me custou o triplo do que pensava gastar. Acho que se em vez das chávenas ela me tivesse tentado vender droga, um vale de desconto em cremes depilatórios, ou um T6 na Buraca, eu teria comprado. É que enquanto ela falava, eu nem a ouvia, limitando-me a olhar para ela como um apreciador de sushi olha para um rolo: observava-a, apetecia-me tirar fotos com ela para meter nas redes sociais, para depois então comê-la, lentamente, para sab... ok, acho que já perceberam.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Julgar um livro pela capa.

É comum dizer-se que não devemos julgar um livro pela capa. Diz-se nos mais variados contextos, como por exemplo a propósito da gorda do 3º Direito, cujas banhas a sair para fora das calças nos fazem lembrar a parte de cima do muffin que comemos ao lanche. No fundo, a expressão significa que o facto de ela se parecer com um cachalote prestes a parir, não quer dizer que interiormente não seja a Madre Teresa de Calcutá. Também ouvimos dizer que 'não devemos julgar um livro pela capa', quando nos levam a comer sushi pela primeira vez. Como se comer peixe cru enrolado em arroz, nos levasse a ter uma epifania que nos fosse fazer acreditar que os bifes de vaca com batatas fritas deviam ter sido extintos no século XVII.
Eu cá não gosto da expressão, sobretudo quando utilizada no sentido literal. É que eu julgo os livros pela capa. Aliás, esse é o critério principal para que um indivíduo estúpido, parvo e sem cultura como eu, pegue num livro. Quem me vê numa Bertrand com ar de especialista, mal sabe que por baixo deste meu ar de intelectual está uma criança, cujo critério na hora de escolher os livros está nas cores e na bonecada da capa. No fundo, se uma besta como eu entrar numa livraria sem nenhum livro recomendado, é mais provável trazer para casa o último do "Bob o Construtor", do que qualquer livro do Saramago, cujas capas são bastante enfezadinhas.
e por ter falado em saramago e aproveitando o embalo quero dizer-vos que me irrita profundamente esta nova mania de os escritores tentarem vincar uma imagem de marca recorrendo a especificidades ao nível da escrita como a não utilização de alguns sinais de pontuação. ou de letras maiúsculas no início das frases. não sei como conseguem. !esquerda a para direita da escrever a começam dia Qualquer