O
homem ribatejano tem uma particularidade que o define, além dos oito centímetros a mais no pénis: tem mais amor ao carro do que à própria esposa.
Ribatejano que é ribatejano, todos os fins de semana sai religiosamente de casa
para lavar o carro, fazendo com que a frequência de lavagem do veículo
seja muitas vezes superior à frequência de "lavagem" do seu próprio
corpo. Aliás, o homem ribatejano preocupa-se mais em lavar o carro ao fim de
semana, do que em levar a esposa e os filhos a passear. Não é à toa que aqui
no Ribatejo, já desde o Estado Novo que o lema "Deus, Pátria,
Família" foi substituído pelo ainda actual "Deus, Vinho Tinto,
Automóvel". E o facto de Deus aparecer em primeiro lugar
nesta tríplice, continua a ser bastante discutível nos dias de hoje.
Ribatejano
que é ribatejano não lava o seu veículo nas lavagens automáticas, porque tem
medo que a máquina o risque. Ribatejano que é ribatejano muda o pinheiro
de cheiro do carro semanalmente. Uma embalagem de toalhetes para limpar o tablier
do carro dura uma semana a um ribatejano. No entanto, um rolo de papel
higiénico em casa é coisinha para lhe durar aí seis meses. O ribatejano enche o
reservatório da água do carro três vezes por semana, mas, se a mulher lhe pedir
para pegar numa garrafa de água e regar as flores, o mais provável é ele
mandá-la para casa da alcoviteira que a deu à luz (recorrendo ao equivalente calão
"ir para a puta que a pariu"). E
for falar na relação do ribatejano com a esposa, quando um ribatejano bate com
o carro, a culpa é sempre da mulher dele. Quer ela esteja no veículo, quer não
esteja. Se estiver é porque o distraiu, se não estiver é porque devia estar e
não estava.
* Uma vez por semana publico um texto retirado do Blog antigo.